A Tribo Shipibo-Conibo

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Entre 1790 e 1821 período da independência do Peru, as tribos e etnias indigenas Shetebo, Conibo e Shibipo dos Andes Peruano se uniram formando a etnia Shibipo Conibo, uma etnia formada pela mestiçagem e migração. A etnia, localizada na Amazonia Peruana, não é a única a utilizar a extensão das nascentes dos rios da Floresta Amazônia, junto a ela outras duas etnias indigenas estão no local, a Asháninka e a Cashibo Cacaibo. Os ancestrais dessas tribos indigenas peruanas datam de 300 anos depois de cristo, uma civilização antiga que possivelmente participou do império Inca e mesmo com sua queda permaneceu viva e crescente.

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A etnia indígena Shibipo Conibo conta hoje com mais de 40 mil pessoas com 226 aldeias espalhadas ao longo da Amazônia Peruana, estrategicamente vivem às margens dos rios Ucayali, Pachitea, Callería Aguaytía, Tamaya e Laguna de Yarinacocha. Os indigenas, cuja língua falada é a Joi-Kon, consideram que Joi-Kon significa gente verdadeira ou excelência, um fato interessante é que 38,5% dos jovens das aldeias dessa etnia cursaram o ensino superior em cidades mais desenvolvidas do país.
Os Shibipos são muito conhecidos pelas suas obras de arte, manifestando-se especialmente nos desenhos de padrão elaborados, os Kené - na língua Joi-Kon significa desenho -, que são aplicados aos têxteis, cerâmicas e artigos de madeira esculpida.

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O uso das plantas poderosas está inteiramente ligado no campo da Etnomedicina, uma área amplamente realizada pela tribo, especialmente ao uso da bebida Ayawaska. A música é considerada a língua dos espíritos e, portanto, magicamente potente. Nas letras das músicas as pessoas são referidas como certos animais codificados em linguagem metafórica. A aplicação mais discreta das músicas medicinais é o assobio (koxonti) a fim de “carregar” uma substância de suporte (geralmente um charuto, cachimbo, um perfume, ou qualquer remédio para ser administrado a um paciente), com a potência de uma música. 

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Em contextos Shipibo, geralmente, são usadas músicas de três categorias definidas pela sua forma musical: bewá (que deriva de músicas artísticas com um modelo melódico descendente específico em duas secções), mashá (que deriva de música da  dança de roda cantada em festas de bebida, com um secção estrita repetida e um consequente ritmo de quatro batidas) e ikaro (importado da Kichwa-, Kukama- e de colonos de língua espanhola, juntamente com o uso de ayawaska, com diferentes caraterísticas melódicas e rítmicas; as músicas ikaro são exclusivamente realizadas em sessões ayawaska).  As músicas executadas durante as sessões ayawaska estavam ligadas aos complexos desenhos kené.

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Um dos rituais xamanicos, chamado Mochai, conta sobre a adoração coletiva do sol, a cura do sol ou da lua em casos de eclipse, e em determinadas situações, a convocação de seres animais e humanos transitóricos chamados Simpibo Jonibo. Nesse ritual as músicas são o coração.
Esse pacote multimédia combinado foi, assim, declarado uma tradição milenar e explicado como “a antiga tradição do Shipibo” (que é, mais uma vez, um singular): por outras palavras, a (adaptada) sessão de beber ayawaska, a (esteticamente renovada) arte kené, e as músicas (não existentes) que evocam projetos, ou projetos que codificam as músicas, são referidas como já existentes. 
A sociedade vive numa encruzilhada, ameaçada pela globalização e tendo que renegociar a relação com sua cultura e seu território. Para as mulheres que descobriram as vantagens de se organizar em cooperativas recentemente, os kenés são uma das poucas fontes de receita.
Mas o futuro dos kenés depende também das novas gerações shipibos. Já não existem muitas moças interessadas em aprender as habilidades tradicionais. Nas cooperativas notasse pouca presença de jovens.
Felizmente, em 2008, o governo peruano protegeu o kené shipibo declarando-o como patrimônio nacional cultural. Foi patrimonializado também o uso cerimonial do chá da ayahuasca, em torno do qual se desenvolve a medicina e uma produção artística original na Amazônia peruana.

“A natureza em si é mágica, e se a natureza lhe abre,
se o coração da Mãe Pachamama, la Iacuruna.”